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A Seta da História

15 novembro, 2016 / Paulo Eduardo Pinto /

Quem anseia por novos aprendizados? Temos curiosidade pela ciência e pelo conhecimento dos outros? É da natureza humana trocar e assimilar experiências?

Sob uma perspectiva histórica, a interação e o processo de troca de conhecimentos e integração entre pessoas e povos são fenômenos contínuos e inexoráveis. Há 12 mil anos, com a chamada Revolução Agrícola, a miscigenação cultural tem diminuído gradualmente o número de culturas distintas e isoladas.

Na magnífica obra Sapiens – Uma breve história da humanidade, Yuval Noah Harari sintetiza essa análise ao indicar que “a seta da história” demonstra, a longo prazo, o claro sentido de unificação da humanidade. Culturas em fluxo constante se aglutinam de maneira gradual, formando civilizações maiores e mais complexas e dando origem a mais megaculturas a cada época. A despeito de períodos ocasionais de resistência ou retrocesso, como o atual discurso conservador na Europa e nos EUA e as ações xenófobas no Oriente Médio e na Ásia, tudo demonstra que a história se movimenta incessantemente rumo à unicidade.

Vários aspectos, como etnias, religiões, ciências, organizações sociais e economia, componentes de culturas distintas, fundem-se na criação de uma nova cultura, resultante da mistura das anteriores. Nenhuma sociedade, antiga ou presente, alcançou o status da perfeição ao lidar com a vida de modo geral. Após a Revolução Industrial, com o desenvolvimento da ciência moderna, vimos que as sociedades que admitem espectros mais amplos de assimilação e integração com culturas diferentes tendem a criar melhores condições de vida para maiores parcelas de sua população.

Na atualidade, o moderno ambiente de negócios adaptou-se à ideia dos mercados globais, traduzindo essa perspectiva histórica de integração mundial, seja de maneira econômica, tecnológica, organizacional, política, seja cultural. Agora ainda mais potencializada pelo crescente desenvolvimento do conhecimento humano.

Compreender o recente fenômeno da globalização é crucial acheter viagra para entender as causas e os sintomas do processo de integração. Uma avaliação divorciada de ideologias ou religiões apura, de forma cabal, a legitimidade da causa suportada pelo próprio instinto humano que busca essa integração.

O comércio multilateral e as cadeias produtivas globais têm sua gênese na tendência natural e histórica desse processo. De um fluxo anual global de investimento direto estrangeiro de US$ 50 bilhões nos anos 70, passamos a mais de US$ 1 trilhão nos tempos atuais com empresas transnacionais deslocando sua produção para países mais abertos à assimilação dessa tendência, além de alocar verbas crescentes para investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

O uso de boas técnicas na definição de investimentos, a prática dos intercâmbios e a implantação de projetos empresariais devem traduzir, no cotidiano, a responsabilidade das empresas, pessoas e governos no papel de implementadores da integração mundial. Assim, é nossa função contribuir para que as análises e a implantação de políticas e o exercício dos negócios não sejam míopes quanto ao conjunto de fatos e elementos que definem essa trajetória natural. Caso contrário, teremos o atraso no acesso aos melhores conhecimentos e práticas humanas, seja pelo isolacionismo, seja pela dificultação das trocas.

Como bem observado por Yuval Noah Harari, tudo deve derivar do bom senso. Ao fazermos a observação histórica e adotarmos boas práticas, devemos submetê-las a avaliações compromissadas com a percepção mais atenta do destino humano, claramente indicado pela “seta da história”.