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A Quarta Revolução Industrial

21 novembro, 2016 / Paulo Eduardo Pinto /

No final do século 17, foi a máquina a vapor. Entre meados dos séculos 19 e 20, foram o rádio, o automóvel, a TV e o avião. Na 2ª metade do século 20, o aprimoramento dos processos tecnológicos, a robótica, a informática e a biotecnologia. Desta vez, os robôs integrados em sistemas ciberfísicos serão os responsáveis por uma transformação radical. E os economistas têm um nome para isso: “a quarta revolução industrial”, marcada pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas…

“Estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, alcance e complexidade, essa transformação será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes”, diz Klaus Schwab, diretor do Fórum Econômico Mundial e autor de “A Quarta Revolução Industrial”, publicada este ano. Propõe também que a quarta revolução não é definida por um conjunto de tecnologias emergentes em si mesmas, mas a transição em direção a novos sistemas que foram construídos sobre a infraestrutura da revolução digital.

Assim, os “novos poderes” da transformação virão da engenharia genética e das neurotecnologias, duas áreas que parecem misteriosas e distantes para o cidadão comum. Mas impactarão em como somos e em como nos relacionamos até nos lugares mais remotos do planeta: a revolução afetará o futuro do trabalho e a desigualdade de renda com impactos na segurança geopolítica e mesmo em considerações sobre a ética.

Mas, então, do que se trata essa mudança e por que há quem creia que se trate de uma revolução?

Na verdade, representa uma mudança de paradigma e não mais uma etapa do desenvolvimento tecnológico, existindo, conforme debatido no último Fórum Mundial de Davos, 3 razões pelas quais as transformações representam uma nova revolução industrial: a velocidade, o alcance e o impacto nos sistemas produtivos.

A quarta mudança traz consigo uma tendência à automatização total das fábricas por sistemas ciberfísicos, possíveis graças às recentes tecnologias da “internet das coisas” e da “computação na nuvem”. Esses sistemas combinam máquinas com processos digitais, passando a tomar decisões descentralizadas e a cooperar – entre eles e com humanos. Nesse sentido, o que vem por aí é uma “fábrica inteligente”. Verdadeiramente inteligente, com o princípio básico de se criarem redes inteligentes capazes de controlar si mesmas, levando-se a um sistema produtivo com gradual e inexorável independência da obra humana.

O Fórum antecipou o que os acadêmicos mais entusiastas falam da Revolução 4.0: nanotecnologias, neurotecnologias, robôs, inteligência artificial, biotecnologia, sistemas de armazenamento de energia, drones e impressoras 3D. E essa tecnologia também será a causadora da parte mais controversa da quarta revolução: pode acabar com 5 milhões de vagas de trabalho nos 15 países mais industrializados do mundo.

A quarta revolução tem o potencial de elevar os níveis globais de rendimento e melhorar a qualidade de vida de populações inteiras – as mesmas populações que se beneficiaram com a chegada do mundo digital.

Obviamente, o processo de transformação só beneficiará quem for capaz de assimilar, inovar e se adaptar. Seremos capazes de conduzir esse processo de assimilação, inovação e adaptação no Brasil de forma eficiente? Imaginamos de fato o que representará a mudança no perfil de emprego com o desaparecimento de massas de vagas de trabalho, sobretudo as menos qualificadas?

“O futuro do emprego será feito por vagas que não existem, em indústrias que usam tecnologias novas, em condições planetárias que nenhum ser humano já experimentou”, diz David Ritter, CEO do Greenpeace Austrália/Pacífico em uma coluna sobre a quarta revolução industrial para o jornal britânico The Guardian.

Eis os novos desafios para o homem no século XXI.